Indígenas voltam a fechar ponte em Feijó em protesto contra ‘marco temporal’

Índios de pelo menos quatro etnias voltaram a fechar a BR-364, principal via de acesso ao interior do Estado do Acre, na altura da cabeça da ponte sobre o rio Envira, em Feijó, nesta quarta-feira (30). Eles protestam contra o chamado ‘marco temporal’, que está em votação na Câmara Federal com a tese, defendida por ruralistas e envolvidos com o agronegócio, segundo a qual só podem reivindicar terras indígenas as comunidades que as ocupavam na data da promulgação da Constituição, em 1988.

O protesto no Acre corre simultaneamente com outras manifestações em várias regiões do país no momento em que Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, se prepara para começar a julgar o processo que decide sobre a validade jurídica da tese defendida pelos fazendeiros e apoiada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Os indígenas são contrários à aplicação do marco temporal, pois dizem que muitas comunidades foram expulsas de seus territórios originais antes de 1988.Ninawá Inu Huni kui, presidente Federação do Povo Huni kui do Acre (Fephac) e um dos líderes do fechamento da rodovia e da ponte em Feijó, disse que eles não vão sair do local enquanto não forem ouvidos. “Estamos com aproximadamente 200 lideranças de 20 aldeias de Feijó. Nosso protesto é em apoio a liderança nacional que está se mobilizando, em Brasília, em repúdio a votação do marco temporal, que é um projeto de lei com 19 pontos de demarcação de terras indígenas e anula todo processo de demarcação de terras de 1988 para cá’”, disse.

Os indígenas também protestam o contra o Projeto de Lei que prevê mudanças no reconhecimento da demarcação das terras e do acesso a povos isolados e é alvo de críticas e protestos há mais de dez anos. No dia 22 de junho foram feitos vários atos no país. “Estamos aqui em repúdio ao marco temporal e todos os outros projetos, como o PL 490 que tende a retirar as terras dos povos indígenas e entregar para os grandes empreendimentos. Então, é por isso que estamos fazendo essa manifestação”, concluiu.