Vereadora presa em Feijó agia há 10 anos retendo cartões de indígenas, diz delegada da Policia Federal

A delegada da Polícia Federal, Milena Lecy Martins, disse durante entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, 01, que a vereadora de Feijó, Aurelinda Portela, a filha e o marido, além de um idoso de 80 anos, tinham um esquema criminoso que atuava há cerca de 10 anos no município, com a retenção de cartões bancários de indígenas da etnia Kulina e trabalhadores rurais, para obtenção de benefícios próprios.

Na casa da parlamentar, haviam 5 cartões bancários e do Bolsa Família e R$ 3.200 espécie, além de senhas bancárias e cadernos com anotações de supostas dívidas dos indígenas. Os quatro respondem pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, associação criminosa e empréstimo fraudulento.

A Polícia Federal iniciou a investigação em novembro do ano passado e as prisões foram feitas no último dia 28, informou a delegada Milena Lecy Martins – Foto: Reprodução

Os 4 acusados foram presos no último dia 28 em Feijó durante Operação Totomide, que na língua dos Kulina significa sanguessuga. A vereadora e os familiares foram presos em flagrante durante cumprimento de mandado de busca, já o idoso, preventivamente. Ela e o marido pagaram fiança de R$ 15 mil e foram liberados. A filha não pagou fiança para ser solta e o idoso segue em prisão domiciliar.

A PF vai averiguar agora o ganho do grupo com os crimes e o patrimônio adquirido.

Denúncia e investigação

A denúncia sobre a retenção de cartões dos índios Kulina foi feita ao Ministério Público Federal  por uma antropóloga que fazia um estudo na terra  indígena do Alto Envira. A Polícia Federal iniciou a investigação em novembro do ano passado e as prisões foram feitas no último dia 28.

“O investigado inicialmente era o marido da vereadora que é professor mas ela estava diretamente envolvida no caso de retenção dos cartões bem como a filha. Ninguém do grupo é comerciante mas eles ficavam com os cartões, compravam mercadoria e repassavam  para os indígenas e trabalhadores rurais com preços bem acima do real e também faziam empréstimos bancários”, contou a delegada Milena afirmando que a prática é comum em outras cidades do Acre, incluindo Cruzeiro do Sul.

“Não podemos revelar se há investigação em Cruzeiro do Sul mas sabemos que essa prática existe com relação aos indígenas e trabalhadores rurais que não tem muita familiaridade com cartões”, explica.